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Meu cachorro tomou NexGard mas continua com carrapato: por quê e o que fazer

Ver carrapatos no seu cão mesmo depois de administrar o NexGard é uma situação comum e, na maioria das vezes, tem explicação lógica: carrapatos podem estar no ambiente, podem subir no animal e ainda não ter morrido, ou você pode estar lidando com uma infestação intensa em que o controle precisa ser “cão + casa/quintal” (e, às vezes, acompanhamento veterinário).

Antes de qualquer coisa: carrapato não é só “bichinho chato”. Em cães, ele está associado a doenças potencialmente graves, e, em algumas regiões do Brasil, há risco também para humanos (zoonoses).

A seguir, vamos construir o básico que explica por que eles persistem e por que você deve levar a situação a sério.

Entenda o básico: carrapatos em cães e por que eles persistem

O que é carrapato e como ele se fixa no cão

Carrapatos são artrópodes (da ordem dos ácaros) que se alimentam de sangue. Em geral, os que infestam cães com mais frequência pertencem ao grupo dos carrapatos “duros” (família Ixodidae), que conseguem ficar presos por bastante tempo enquanto se alimentam.

A fixação acontece assim, de forma simplificada e bem fiel ao que a ciência descreve:

  • Busca ativa por hospedeiro: alguns carrapatos “esperam” na vegetação com as pernas anteriores estendidas (comportamento tipo “tocaia”) e se prendem quando um animal passa.

  • Mordida e ancoragem: ao encontrar um local adequado, o carrapato usa o aparelho bucal para perfurar a pele e se manter ancorado durante a alimentação.

  • Saliva com funções essenciais: durante o repasto sanguíneo, o carrapato injeta saliva na pele, que ajuda a prolongar a alimentação ao modular coagulação, inflamação e respostas imunes locais (isso facilita a permanência do carrapato e também pode favorecer transmissão de patógenos).

  • Troca de fluidos: parte do que ele ingere (líquidos/íons) pode ser devolvida ao hospedeiro por meio das secreções salivares, um dos motivos pelos quais a saliva é tão importante na dinâmica de alimentação e transmissão.

Por isso, “ver carrapato” não significa automaticamente que o produto falhou naquele segundo: pode haver carrapato recém-chegado, em processo de fixação ou ainda dentro da janela até morrer (especialmente quando há infestação ambiental).

Tipos de carrapatos mais comuns em cães (visão prática)

No Brasil, dá para pensar em dois cenários bem típicos para tutores:

1) Carrapato-marrom-do-cão (Rhipicephalus sanguineus s.l.) — o “doméstico”
É o carrapato mais associado ao ambiente domiciliar (frequentemente completa o ciclo perto de onde o cão vive). Por isso, quando ele aparece, é muito comum existir reservatório na casa/quintal (frestas, rodapés, casinhas, caminhas, sofás, áreas de serviço). Ele é um vetor importante de patógenos caninos.

2) Carrapatos do gênero Amblyomma — os “de área verde/mata/rural”
São frequentemente associados a áreas com vegetação, ambientes periurbanos, rurais ou próximos de fragmentos de mata. Em cães, podem aparecer após passeios em locais com mato/grama alta, trilhas e áreas com presença de animais silvestres. Estudos no Brasil relatam Amblyomma spp. em cães, especialmente em contextos rurais/periurbanos.

Dentro do grupo, Amblyomma sculptum (o “carrapato-estrela”, em parte do país) tem relevância em saúde pública por estar envolvido em ciclos da febre maculosa brasileira, e materiais técnicos no Brasil destacam espécies como A. sculptum, A. aureolatum e A. ovale em cenários de vigilância.

Resumo prático:

  • Se o cão quase não sai de casa e você vê carrapatos repetidamente → suspeite forte de Rhipicephalus e infestação ambiental.

  • Se o cão pega carrapato depois de passeios em área verde/mata → pense em Amblyomma como possibilidade comum.

Por que carrapato não é só “incômodo”: riscos e impacto no organismo

Carrapatos causam problemas em dois níveis: efeitos diretos do parasitismo e risco de transmissão de agentes infecciosos.

1) Efeitos diretos (mesmo sem “doença do carrapato”)

  • Irritação e inflamação na pele, feridas e possibilidade de infecção secundária.

  • Em infestações importantes, podem contribuir para perda de sangue e piora do estado geral (especialmente em filhotes, idosos e animais debilitados).
    Além disso, a própria saliva do carrapato tem moléculas com efeito sobre inflamação, coagulação e imunidade local, parte do “arsenal” biológico que permite que ele se alimente por mais tempo.

2) Transmissão de patógenos (o maior perigo)
Em cães, os carrapatos estão associados a um conjunto de enfermidades que, na prática clínica, muitas vezes entram no guarda-chuva de “doenças transmitidas por carrapatos”, com relevância para:

  • Ehrlichia canis (erliquiose canina) — frequentemente ligada ao carrapato-marrom-do-cão.

  • Babesia spp. (babesiose canina) — importante hemoparasitose, também descrita com transmissão por carrapatos.

  • Anaplasma spp. — pode compor o mesmo cenário de “doenças do carrapato” em cães.

E, em termos de saúde pública, algumas espécies de Amblyomma têm importância nos ciclos da febre maculosa no Brasil, o que reforça que controle de carrapatos é também cuidado com a família.

Sinal de alerta (bem objetivo): se, além de carrapatos, seu cão apresentar febre, apatia, falta de apetite, sangramentos, mucosas pálidas, vômitos ou manchas/hematomas, isso já sai do “incômodo” e vira motivo para avaliação veterinária e exames. (Vamos aprofundar sintomas e diagnóstico em outra seção do post.)

Doença do carrapato: sintomas que exigem atenção (e urgência)

Quando falamos em “doença do carrapato”, na prática clínica estamos nos referindo principalmente a infecções transmitidas por carrapatos, como a erliquiose canina (Ehrlichia canis), babesiose (Babesia spp.) e anaplasmose (Anaplasma spp.). Essas enfermidades podem evoluir de forma silenciosa no início e, em alguns casos, tornar-se graves se não diagnosticadas e tratadas corretamente.

Nem todo cão com carrapato vai desenvolver doença. Mas quando surgem sinais sistêmicos (que afetam o organismo como um todo), é importante agir rápido.

Sinais iniciais: febre, apatia e perda de apetite

Na fase inicial, os sintomas costumam ser inespecíficos — e por isso facilmente ignorados:

  • Febre

  • Apatia (cão mais quieto, menos disposto)

  • Perda de apetite

  • Olhar abatido

  • Leve perda de peso

Em muitos casos, o tutor percebe apenas que “o cachorro não está normal”.
Essa fase pode passar despercebida ou ser confundida com uma indisposição simples.

O problema é que, mesmo com sintomas leves, alterações já podem estar ocorrendo no sangue, especialmente nas plaquetas e células de defesa, o que só é detectado com exame laboratorial (hemograma).

Se seu cão tomou NexGard e continua com carrapatos e apresenta febre ou prostração, isso já é motivo para avaliação veterinária.

Fase aguda: sangramentos, vômitos e manchas

Quando a doença evolui, os sinais se tornam mais evidentes e preocupantes. Entre os mais observados:

  • Sangramentos espontâneos (nariz, gengiva)

  • Petéquias (pequenas manchas vermelhas na pele ou mucosas)

  • Hematomas sem trauma aparente

  • Vômitos e diarreia

  • Fraqueza intensa

  • Mucosas pálidas

Esses sinais estão frequentemente associados à queda de plaquetas (trombocitopenia), alteração comum na erliquiose e em outras hemoparasitoses.

⚠️ Sangramento nunca é sintoma “para observar em casa”.
É indicação clara de procurar atendimento veterinário o quanto antes.

Fase crônica: anemia, infecções secundárias e aumento de órgãos

Se não tratada, a doença pode entrar em fase crônica, caracterizada por:

  • Anemia persistente

  • Perda de peso progressiva

  • Infecções recorrentes (devido à imunossupressão)

  • Aumento de linfonodos

  • Aumento de baço (esplenomegalia)

  • Cansaço fácil

Nessa fase, o sistema imunológico pode estar comprometido, tornando o tratamento mais delicado e prolongado.

Alguns cães podem parecer melhorar e depois piorar novamente, o que dá a falsa sensação de que “já passou”. Por isso, diagnóstico precoce é decisivo para o prognóstico.

Quando carrapato + coceira pode ser outra coisa (alergias, sarna, pele)

Nem todo cachorro que se coça após tomar NexGard está com doença do carrapato.

Se o principal sintoma é coceira intensa, sem febre, sem apatia e sem sinais sistêmicos, outras causas são mais prováveis:

  • Dermatite alérgica (inclusive à picada de pulga)

  • Hipersensibilidade alimentar

  • Sarnas (como sarna sarcóptica ou demodécica)

  • Infecções bacterianas ou fúngicas de pele

Carrapato geralmente causa mais irritação localizada do que coceira generalizada intensa.

Então, se o seu cão:

  • Está ativo,

  • Come normalmente,

  • Não tem febre,

  • Só apresenta coceira,

é possível que o problema seja dermatológico e não sistêmico.

Quando a situação é urgente?

Procure atendimento veterinário imediato se houver:

  • Febre persistente

  • Sangramentos

  • Mucosas pálidas

  • Fraqueza acentuada

  • Desmaios

  • Vômitos repetidos

Se seu cachorro tomou NexGard mas continua com carrapato e apresenta qualquer sinal sistêmico, a prioridade deixa de ser o antiparasitário e passa a ser investigar possível doença transmitida por carrapato.

Na próxima seção, vamos entrar no ponto que mais gera dúvida:
por que ainda vejo carrapatos depois do NexGard, e quando isso é normal ou não.

Meu cachorro tomou NexGard e ainda tem carrapato: causas mais comuns

Essa é a dúvida central de quem chega até aqui:
“Se eu dei o comprimido, por que ainda estou vendo carrapatos?”

Na maioria das vezes, a resposta não é “o produto não funciona”, mas sim uma combinação de fatores como ambiente contaminado, exposição constante ou uso incorreto.

Vamos separar o que pode ser esperado do que merece investigação.

“Ainda vejo carrapatos”: o que pode ser normal vs. o que é sinal de problema

É importante entender um ponto técnico:
O NexGard (afoxolaner) é um antiparasitário sistêmico. Isso significa que o carrapato precisa subir no cão e iniciar alimentação para entrar em contato com o princípio ativo presente no sangue.

Ou seja:

  • Ver um carrapato andando no pelo pode acontecer.

  • Ver um carrapato recém-fixado também pode acontecer.

  • O que não é esperado é encontrar carrapatos vivos e ativos vários dias após a administração, em grande quantidade e continuamente.

📌 Em cenários normais:

  • O carrapato pode aparecer.

  • Ele inicia alimentação.

  • Entra em contato com o medicamento.

  • Morre e se desprende.

Se você vê carrapatos mortos ou caindo, isso tende a ser compatível com ação do produto.

Se você vê infestação persistente e progressiva, aí é hora de investigar.

Reinfestação do ambiente (a causa nº 1): quintal, frestas, caminha, sofá, carro

Esse é, disparado, o motivo mais comum.

O ciclo do carrapato não acontece só no cachorro. Grande parte da vida dele ocorre no ambiente. O carrapato-marrom-do-cão (Rhipicephalus sanguineus), por exemplo, consegue:

  • Se esconder em frestas de parede e rodapés

  • Ficar em caminhas, cobertas, estofados

  • Sobreviver em casinhas externas e quintais

  • Permanecer em carros usados para transporte do pet

Se o ambiente está infestado, o que acontece?

  1. O cão toma NexGard.

  2. Carrapatos sobem nele.

  3. Eles morrem após iniciar alimentação.

  4. Novos carrapatos continuam surgindo do ambiente.

Isso cria a falsa sensação de que o produto não está funcionando, quando na verdade há reposição constante da infestação ambiental.

Controle eficaz quase sempre exige:

  • Tratamento do animal

  • Manejo e higienização do ambiente

  • Em casos intensos, orientação profissional para controle ambiental

Exposição intensa: passeios em mato/vegetação e contato com outros animais

Cães que frequentam:

  • Chácaras

  • Sítios

  • Parques com vegetação alta

  • Áreas periurbanas ou rurais

estão naturalmente mais expostos, especialmente a carrapatos do gênero Amblyomma.

Além disso, contato com:

  • Cães infestados

  • Animais de abrigo

  • Ambientes com alta circulação de pets

aumenta o risco de reinfestação.

Mesmo usando antiparasitário, a exposição pode ser contínua.
O medicamento age, mas o desafio é a pressão ambiental elevada.

Erros de uso: dose incompatível com peso, atraso no calendário, administração incorreta

Aqui entram falhas práticas que são mais comuns do que parecem:

  • ❌ Usar apresentação para peso inferior ao do cão

  • ❌ Dividir comprimido quando não é recomendado

  • ❌ Atrasar a próxima dose além do intervalo indicado

  • ❌ Esquecer meses no inverno achando que “não tem carrapato”

Outro ponto importante:
Se o cão ganhou peso e continua recebendo a dose antiga, pode haver subdosagem.

Calendário irregular também abre “janelas” em que o animal fica desprotegido, permitindo que carrapatos completem parte do ciclo.

Carrapatos já presentes antes do comprimido: janela até a morte e queda

Se o cão já estava com carrapatos no momento da administração, é esperado que:

  • Eles precisem iniciar alimentação.

  • Entrem em contato com o princípio ativo.

  • Morram.

  • Se desprendam.

Esse processo não é instantâneo.

Por isso, encontrar carrapatos nas primeiras 24–48 horas pode ser compatível com o mecanismo de ação. O importante é observar:

  • Eles estão menos ativos?

  • Estão morrendo e caindo?

  • A quantidade está diminuindo ao longo dos dias?

Se sim, isso sugere funcionamento adequado.

Quando suspeitar de falha real (e o que não fazer por conta própria)

Falha verdadeira é incomum, mas deve ser considerada quando:

  • O cão recebe a dose correta.

  • O calendário está rigorosamente em dia.

  • O ambiente foi tratado adequadamente.

  • Mesmo assim há infestação intensa e contínua.

Nesses casos, o ideal é:

  • Conversar com o médico-veterinário.

  • Avaliar peso atual.

  • Revisar histórico.

  • Considerar estratégia alternativa sob orientação profissional.

🚫 O que não fazer:

  • Dar duas doses juntas por conta própria.

  • Reduzir intervalo sem orientação.

  • Combinar múltiplos antiparasitários sistêmicos sem avaliação.

  • Trocar produtos em sequência desorganizada.

Uso inadequado pode aumentar risco de efeitos adversos sem resolver a causa principal (que muitas vezes é ambiental).

Como o NexGard funciona, em quanto tempo age e por quantos dias protege

Entender o mecanismo do NexGard ajuda muito a reduzir ansiedade quando ainda aparece um carrapato no pelo do cão.

O NexGard contém afoxolaner, uma molécula da classe das isoxazolinas. É um antiparasitário sistêmico e oral, ou seja: após o cão ingerir o comprimido, o princípio ativo é absorvido e passa a circular na corrente sanguínea.

Isso muda completamente a lógica em relação a produtos tópicos.

Modo de ação (explicado de forma simples)

De forma objetiva:

  1. O cão ingere o comprimido.

  2. O afoxolaner é absorvido pelo organismo.

  3. O carrapato sobe no animal e começa a se alimentar.

  4. Ao ingerir sangue, entra em contato com o princípio ativo.

  5. O parasita sofre hiperexcitação neurológica e morre.

O alvo do medicamento são receptores específicos do sistema nervoso do parasita, o que leva à sua morte. A seletividade ocorre porque esses receptores são diferentes nos artrópodes quando comparados aos mamíferos, o que explica a margem de segurança quando usado corretamente.

Ponto essencial:
📌 O carrapato precisa iniciar alimentação para ser afetado.
Por isso, ele pode ser visto andando no pelo antes de morrer.

Quando começa a agir: o que esperar nas primeiras horas/dias

Após administração oral, o afoxolaner é rapidamente absorvido.

De forma prática para o tutor:

  • A ação contra pulgas começa poucas horas após a ingestão.

  • Para carrapatos, a morte ocorre após o início da alimentação.

O que você pode observar nas primeiras 24–48 horas:

  • Carrapatos mais lentos.

  • Parasitas mortos presos ao pelo.

  • Queda progressiva do número de carrapatos.

O que não é esperado:

  • Infestação aumentando continuamente após alguns dias.

  • Carrapatos ativos em grande quantidade semanas depois com calendário em dia.

Se o cão já estava com carrapatos no momento da administração, é normal que ainda sejam vistos por um curto período até que morram e se desprendam.

Duração da proteção e por que o “dia do calendário” importa

O NexGard é indicado para administração mensal.

Isso significa que sua eficácia é projetada para manter níveis adequados do princípio ativo no sangue por aproximadamente 30 dias.

Aqui está um ponto crítico que muitos tutores ignoram:

🔎 Não é apenas “dar todo mês”.
É manter intervalos regulares e consistentes.

Se você atrasa:

  • 5 dias

  • 10 dias

  • ou mais

pode abrir uma janela de vulnerabilidade, permitindo que carrapatos sobrevivam e iniciem novo ciclo.

Outro detalhe importante:

  • Esquecer doses no inverno é um erro comum.
    Carrapatos podem permanecer ativos mesmo em períodos mais frios, especialmente em ambientes internos.

Constância é o que sustenta a proteção.

Banho interfere no NexGard? (o que muda e o que não muda)

Essa é uma das dúvidas mais frequentes.

Como o NexGard é oral e sistêmico, o banho:

  • ❌ Não remove o produto.

  • ❌ Não reduz sua concentração no sangue.

  • ❌ Não interfere na absorção após já ter sido ingerido.

Isso é diferente de antiparasitários tópicos (pipetas), que podem ter eficácia comprometida por banho precoce.

O que o banho pode fazer:

  • Ajudar a remover carrapatos mortos.

  • Facilitar inspeção da pele.

  • Reduzir carga de sujeira que favorece fixação.

Mas ele não substitui controle ambiental nem corrige falhas de calendário.

Resumindo esta parte

Se seu cachorro tomou NexGard e continua com carrapato, considere:

  • O carrapato precisa picar para morrer.

  • Pode haver infestação ambiental contínua.

  • O calendário pode estar irregular.

  • A exposição pode ser intensa.

Na próxima seção, vamos transformar isso em algo totalmente prático:

Passo a passo do que fazer agora quando ainda há carrapatos após o NexGard.

O que fazer agora: passo a passo quando ainda há carrapatos após o NexGard

Se você chegou até aqui, provavelmente está vendo carrapatos mesmo após administrar o comprimido.
Agora é hora de agir de forma estratégica, e não por impulso.

Abaixo está um roteiro prático, baseado no que mais resolve na vida real.

Passo 1 — Conferir peso atual e se a apresentação do NexGard está correta

Esse é o primeiro filtro técnico.

Pergunte-se:

  • Meu cachorro ganhou peso recentemente?

  • A embalagem corresponde exatamente à faixa de peso atual?

  • Eu já dividi comprimido alguma vez?

O NexGard é comercializado por faixas de peso. Se o cão ultrapassa o limite da apresentação usada, pode ocorrer subdosagem, o que compromete a eficácia.

✔️ O ideal é pesar o animal recentemente.
✔️ Sempre usar a apresentação correspondente à faixa correta.
❌ Não dividir comprimidos sem orientação profissional.

Pequenas diferenças de peso podem fazer grande diferença na proteção.

Passo 2 — Revisar datas: quando foi a última dose e se houve atrasos

Abra o calendário (ou o histórico do pet shop/clínica) e verifique:

  • A dose foi dada exatamente a cada 30 dias?

  • Houve atrasos de 5, 10 ou mais dias?

  • Algum mês foi “pulando” porque era inverno?

Mesmo pequenos atrasos criam uma janela de vulnerabilidade.

Se houver atraso significativo, o cão pode ter ficado exposto tempo suficiente para:

  • Permitir fixação.

  • Permitir reinfestação ambiental.

  • Manter o ciclo ativo.

Consistência é tão importante quanto o produto em si.

Passo 3 — Fazer inspeção completa no cão (onde carrapatos escondem)

Carrapatos não ficam distribuídos aleatoriamente. Eles preferem áreas:

  • Atrás das orelhas

  • Base da cauda

  • Axilas

  • Entre os dedos

  • Pescoço e região da coleira

  • Região inguinal

Faça uma inspeção manual, com boa iluminação.

O que observar:

  • Carrapatos fixados

  • Lesões de mordida

  • Pontos avermelhados

  • Pequenas crostas

Se encontrar carrapatos:

  • Remova com cuidado, usando pinça adequada.

  • Evite esmagar o parasita com os dedos.

  • Não use substâncias caseiras (óleo, álcool, fogo).

Remoção incorreta pode aumentar inflamação local.

Passo 4 — Controle ambiental (checklist prático)

Na maioria dos casos, aqui está a raiz do problema.

Sem controle ambiental, o cão pode continuar sendo exposto mesmo sob proteção sistêmica.

Higienização de caminhas, cobertas, frestas e áreas de descanso

Checklist básico:

  • Lavar caminhas e cobertas com frequência.

  • Aspirar sofás, tapetes e cantos da casa.

  • Limpar rodapés e frestas.

  • Inspecionar casinhas externas.

  • Higienizar locais onde o cão dorme com regularidade.

Carrapatos conseguem sobreviver em frestas e locais protegidos por períodos prolongados.

Ambientes internos também podem sustentar infestação.

Estratégia para quintal/grama/área externa (rotina e frequência)

Se o cão vive ou circula em quintal:

  • Manter grama aparada.

  • Reduzir acúmulo de folhas e entulho.

  • Evitar áreas com umidade excessiva.

  • Avaliar presença de outros animais no local.

Em casos de infestação intensa, pode ser necessário:

  • Orientação profissional para controle ambiental.

  • Estratégia integrada e periódica.

Não adianta tratar o cão se o ambiente continua funcionando como “reservatório”.

Passo 5 — Quando procurar o veterinário imediatamente (sinais de alerta)

Procure atendimento veterinário se houver:

  • Febre

  • Apatia acentuada

  • Perda de apetite

  • Sangramentos

  • Manchas avermelhadas na pele

  • Mucosas pálidas

  • Fraqueza intensa

  • Vômitos persistentes

Se o problema deixou de ser apenas visual (carrapato no pelo) e passou a ser clínico (cão abatido), a prioridade muda.

Também é indicado procurar orientação quando:

  • O calendário está correto.

  • A dose está correta.

  • O ambiente foi tratado.

  • E mesmo assim a infestação continua intensa.

Nesse cenário, o médico-veterinário pode:

  • Reavaliar estratégia.

  • Solicitar exames.

  • Investigar possível doença transmitida por carrapato.

  • Ajustar protocolo de controle.

O ponto-chave

Na maioria das situações em que o tutor diz:

“Meu cachorro tomou NexGard mas continua com carrapato”

o problema não é o comprimido, é o ambiente ou a regularidade de uso.

Agora que você já sabe o que fazer de forma prática, o próximo passo é entender:

quando investigar com exames e como confirmar (ou descartar) doença do carrapato.

Diagnóstico: quais exames pedir se houver suspeita de doença do carrapato

Se o seu cachorro tomou NexGard mas continua com carrapato e apresenta sintomas sistêmicos (febre, apatia, sangramento, mucosas pálidas), o próximo passo não é trocar o antiparasitário — é investigar.

O diagnóstico das chamadas “doenças do carrapato” é baseado em:

  • Avaliação clínica

  • Exames laboratoriais

  • Testes específicos

  • Interpretação técnica adequada

Não existe um único exame que, isoladamente, resolva todos os casos. A análise é sempre conjunta.

Exames laboratoriais: hemograma, plaquetas e leucócitos

O hemograma completo é o exame inicial mais importante.

Ele permite avaliar:

  • 🔴 Hemácias (glóbulos vermelhos) → detecta anemia

  • Leucócitos (células de defesa) → identifica alterações inflamatórias ou imunológicas

  • 🟣 Plaquetas → fundamentais para coagulação

Uma das alterações mais comuns na erliquiose canina é a trombocitopenia (queda de plaquetas).

Outros achados possíveis:

  • Anemia

  • Leucopenia (queda de células de defesa)

  • Leucocitose (aumento inflamatório)

O hemograma também ajuda a classificar a gravidade do quadro e orientar conduta.

Importante:
Um hemograma alterado não confirma sozinho a doença do carrapato, mas levanta forte suspeita quando associado ao histórico e aos sinais clínicos.

Exames específicos: PCR, sorologia e testes rápidos (ex.: 4DX)

Quando há suspeita clínica, o veterinário pode solicitar exames específicos para identificar agentes como:

  • Ehrlichia spp.

  • Babesia spp.

  • Anaplasma spp.

Os principais métodos incluem:

🔬 Sorologia

Detecta anticorpos contra o agente.
Indica exposição, mas não diferencia infecção ativa de contato anterior.

🧬 PCR (Reação em Cadeia da Polimerase)

Detecta material genético do agente.
É mais específico para confirmar infecção ativa.

🧪 Testes rápidos (ex.: SNAP 4DX)

Muito utilizados na prática clínica.
Detectam anticorpos contra Ehrlichia, Anaplasma e outros agentes transmitidos por vetores.

Cada teste tem limitações. Por isso, o resultado deve sempre ser interpretado junto com:

  • Hemograma

  • Sinais clínicos

  • Histórico de exposição

Nenhum exame deve ser analisado isoladamente.

Quando considerar exames de imagem

Em casos mais avançados ou quando há sinais sistêmicos importantes, exames de imagem podem ser indicados para avaliar:

  • Aumento de baço (esplenomegalia)

  • Aumento de fígado

  • Alterações em linfonodos

  • Presença de complicações

Ultrassonografia abdominal é a mais utilizada nesses cenários.

Não é exame de rotina para todos os casos, mas pode ser importante quando:

  • O quadro é persistente

  • Há suspeita de fase crônica

  • O hemograma mostra alterações importantes

Quando faz sentido avaliação com especialista (ex.: hematologista veterinário)

Encaminhamento para especialista pode ser indicado quando:

  • A anemia é severa

  • A trombocitopenia é persistente

  • O cão não responde ao tratamento inicial

  • Há suspeita de doença hematológica associada

  • O quadro é recorrente

Um hematologista veterinário pode aprofundar investigação com:

  • Esfregaço sanguíneo detalhado

  • Avaliação de medula óssea (em casos específicos)

  • Protocolos terapêuticos individualizados

Esse nível de investigação não é necessário para todos os pacientes, mas pode ser decisivo em casos complexos.

Ponto essencial

Se houver sinais clínicos, o foco deixa de ser “o carrapato visível” e passa a ser:

👉 Confirmar ou descartar doença transmitida por carrapato.
👉 Classificar a gravidade.
👉 Iniciar tratamento adequado o mais cedo possível.

Na próxima seção, vamos abordar:

Tratamento do cão e prevenção de complicações, o que normalmente é feito e por que interromper antes da hora pode trazer riscos.

Tratamento do cão e prevenção de complicações

Se o diagnóstico de doença transmitida por carrapato for confirmado (ou fortemente suspeito com base clínica e laboratorial), o tratamento deve ser iniciado o quanto antes.

É importante deixar claro:
🚫 Não existe “receita caseira” para doença do carrapato.
O tratamento é medicamentoso, monitorado e ajustado conforme exames.

A seguir, uma visão geral do que normalmente é feito na prática veterinária.

Tratamentos terapêuticos (visão geral do que o vet pode indicar)

O protocolo depende do agente envolvido (Ehrlichia, Babesia, Anaplasma) e da gravidade do quadro.

De forma geral, o veterinário pode indicar:

💊 Antibióticos específicos

Muito utilizados nos casos de erliquiose e anaplasmose.
São administrados por período prolongado, conforme protocolo clínico.

💉 Terapias específicas para hemoparasitoses

Em casos de babesiose, pode ser necessário medicamento direcionado ao protozoário.

🩸 Suporte para anemia

Se houver anemia severa:

  • Pode ser necessária fluidoterapia.

  • Em casos graves, transfusão sanguínea.

🧪 Controle da inflamação e complicações

Dependendo do quadro, o veterinário pode associar medicamentos de suporte para proteger órgãos e controlar manifestações secundárias.

Cada caso é individual. Dois cães com “doença do carrapato” podem precisar de abordagens diferentes.

Duração do tratamento: por que varia por fase/gravidade

O tempo de tratamento não é padrão para todos os pacientes.

Ele pode variar conforme:

  • Fase da doença (aguda ou crônica)

  • Grau de anemia

  • Nível de plaquetas

  • Resposta ao tratamento inicial

  • Presença de coinfecções

Em muitos casos, o tratamento se estende por várias semanas.

Mesmo quando o cão melhora clinicamente nos primeiros dias, isso não significa que o agente infeccioso foi completamente eliminado.

A melhora dos sintomas costuma acontecer antes da normalização total dos exames.

Por isso, reavaliações com hemograma de controle são fundamentais.

Riscos de interromper antes da hora

Interromper o tratamento por conta própria é um dos principais fatores de recaída.

Os riscos incluem:

  • Retorno da infecção

  • Evolução para fase crônica

  • Resistência terapêutica

  • Agravamento da anemia

  • Imunossupressão persistente

É comum o tutor pensar:

“Ele já está bem, posso parar.”

Mas a decisão de interromper deve ser baseada em:

  • Avaliação clínica

  • Exames laboratoriais

  • Orientação do veterinário

Parar antes do tempo pode transformar um caso simples em um quadro prolongado e mais difícil de controlar.

Cuidados de suporte: alimentação, hidratação e acompanhamento

Além da medicação específica, o suporte é essencial para recuperação.

🍽 Alimentação adequada

  • Dieta equilibrada.

  • Boa ingestão proteica (quando indicada).

  • Incentivar apetite em casos de inapetência.

💧 Hidratação

  • Garantir ingestão adequada de água.

  • Fluidoterapia quando necessário.

🩺 Acompanhamento periódico

  • Hemogramas de controle.

  • Avaliação de plaquetas.

  • Monitoramento da resposta clínica.

Em cães com anemia, repouso relativo pode ser indicado até estabilização.

O ponto mais importante desta seção

Doença do carrapato é tratável — especialmente quando diagnosticada cedo.

Mas o sucesso depende de:

  • Diagnóstico correto.

  • Tratamento completo.

  • Controle do carrapato no animal.

  • Controle do ambiente.

Na próxima parte, vamos entrar na etapa que realmente impede que o problema volte:

Prevenção: como evitar que o carrapato “volte” mesmo usando comprimido.

Prevenção: como evitar que o carrapato “volte” mesmo usando comprimido

Se existe uma lição clara quando falamos de carrapatos é esta:
não existe controle eficaz olhando apenas para o cachorro.

O carrapato tem ciclo ambiental. Se você trata apenas o animal, mas ignora o entorno, a reinfestação pode continuar acontecendo, mesmo com uso correto de comprimido.

Prevenção eficiente envolve estratégia.

Estratégia combinada: cão + ambiente + rotina

O controle ideal funciona como um tripé:

  1. Proteção contínua do cão

    • Uso regular do antiparasitário.

    • Respeito rigoroso ao intervalo mensal.

    • Ajuste de dose conforme peso.

  2. Controle ambiental consistente

    • Higienização de áreas internas.

    • Manejo do quintal.

    • Redução de esconderijos (frestas, entulho, casinhas antigas).

  3. Rotina preventiva inteligente

    • Inspeções frequentes.

    • Atenção redobrada em épocas quentes e úmidas.

    • Monitoramento após passeios.

Quando um desses pilares falha, o carrapato encontra oportunidade.

Inspeção após passeios e contato com vegetação (como fazer rápido)

Se o seu cão frequenta:

  • Parques

  • Trilhas

  • Chácaras

  • Áreas com grama alta

é recomendável fazer uma inspeção rápida ao chegar em casa.

Leva menos de 3 minutos.

✔️ Passe as mãos no sentido contrário ao pelo.
✔️ Observe especialmente:

  • Orelhas

  • Pescoço

  • Axilas

  • Entre os dedos

  • Base da cauda

Quanto mais cedo o carrapato é identificado, menor a chance de permanecer fixado por tempo prolongado.

A inspeção não substitui o antiparasitário, mas reduz carga de exposição.

Alternativas e combinações comuns: coleiras, pipetas e comprimidos (quando faz sentido)

Em áreas de alta pressão parasitária, o veterinário pode avaliar estratégias complementares.

Existem três principais formas de prevenção:

  • 💊 Comprimidos sistêmicos (como o NexGard)

  • 💧 Pipetas tópicas

  • 🐾 Coleiras antiparasitárias

Cada uma tem mecanismo diferente:

  • Comprimidos: ação sistêmica via sangue.

  • Pipetas/coleiras: ação tópica ou repelente em alguns casos.

Em ambientes muito infestados, pode fazer sentido associar estratégias, mas sempre com orientação profissional.

O que não é recomendado:

  • Combinar múltiplos antiparasitários sistêmicos por conta própria.

  • Reduzir intervalo de administração sem avaliação.

  • Alternar produtos aleatoriamente a cada mês.

A escolha depende de:

  • Grau de infestação ambiental

  • Região geográfica

  • Estilo de vida do cão

  • Histórico clínico

Check-ups e monitoramento (quando repetir exames)

Após um episódio de doença do carrapato, o acompanhamento é fundamental.

Pode ser indicado repetir:

  • Hemograma

  • Contagem de plaquetas

  • Testes específicos, conforme o caso

Mesmo em cães que não desenvolveram doença, mas vivem em área de risco, exames periódicos podem ser recomendados pelo veterinário, especialmente se houver:

  • Episódios recorrentes de apatia

  • Histórico prévio de erliquiose

  • Exposição frequente a áreas infestadas

Monitorar é diferente de medicalizar desnecessariamente.
É acompanhar de forma estratégica.

Conclusão desta parte

Se o seu cachorro tomou NexGard mas continua com carrapato, a solução raramente é “mais remédio”.

Na maioria das vezes, o caminho mais eficaz é:

✔️ Uso correto e contínuo
✔️ Controle ambiental estruturado
✔️ Inspeção frequente
✔️ Acompanhamento veterinário quando necessário

Na próxima seção, vamos esclarecer dúvidas frequentes sobre NexGard, diferenças entre versões e situações específicas que geram insegurança nos tutores.

NexGard, NexGard Spectra e outras dúvidas de uso (sem achismo)

Quando o assunto é carrapato, é comum surgirem dúvidas sobre versões do produto, troca de antiparasitário, efeitos colaterais e situações específicas como vômito após a administração.

Aqui vamos responder de forma técnica e objetiva, sem mitos.

NexGard x NexGard Spectra: diferenças e indicações

A principal diferença entre as duas versões está no espectro de ação.

NexGard (afoxolaner)

  • Atua contra pulgas e carrapatos.

  • Indicado para controle de ectoparasitas.

NexGard Spectra (afoxolaner + milbemicina oxima)

  • Atua contra pulgas e carrapatos

  • Também auxilia na prevenção de vermes intestinais e dirofilariose (verme do coração), conforme indicação da bula.

Ou seja:

  • Se o objetivo é apenas controle de pulgas e carrapatos, o NexGard tradicional atende.

  • Se o veterinário deseja ampliar a proteção contra parasitas internos, o Spectra pode ser indicado.

A escolha depende do protocolo preventivo individual do cão, não é uma questão de “um é melhor que o outro”.

Posso alternar produtos? Quando isso pode ser avaliado pelo veterinário

Trocar antiparasitário não deve ser decisão impulsiva.

Pode fazer sentido avaliar troca quando:

  • Há infestação ambiental muito intensa.

  • Existe suspeita de falha terapêutica após investigação adequada.

  • O cão apresentou reação adversa.

  • O estilo de vida mudou (ex.: passou a frequentar áreas rurais).

O que não é recomendado:

  • Alternar produtos todos os meses sem critério.

  • Associar dois antiparasitários sistêmicos por conta própria.

  • Reduzir intervalo entre doses sem orientação.

Cada classe de antiparasitário tem perfil farmacológico específico.
Mudanças devem ser feitas com base em avaliação clínica.

Efeitos colaterais, reações adversas e contraindicações (o que observar)

De modo geral, o afoxolaner é considerado seguro quando usado conforme indicação.

Possíveis reações descritas incluem:

  • Vômito

  • Diarreia

  • Letargia leve

  • Redução transitória do apetite

Em casos raros, podem ocorrer sinais neurológicos como tremores ou convulsões, especialmente em cães com histórico neurológico prévio.

Por isso, é importante informar o veterinário se o cão:

  • Já teve convulsões

  • Usa medicação neurológica

  • Possui doença sistêmica relevante

Contraindicações seguem o que está descrito em bula (ex.: faixa etária mínima e peso mínimo).

Sempre respeite a apresentação correta para o peso do animal.

Se vomitou após tomar: o que fazer e quando repetir orientação com o vet

Essa é uma situação relativamente comum.

A conduta depende do tempo entre a administração e o vômito.

De forma prática:

  • Se o vômito ocorreu logo após a ingestão (especialmente dentro de poucas horas), pode haver comprometimento da absorção.

  • Se ocorreu muito tempo depois, é provável que parte significativa já tenha sido absorvida.

O ideal é:

  1. Não administrar nova dose imediatamente por conta própria.

  2. Comunicar o veterinário.

  3. Informar horário exato da administração e do vômito.

  4. Observar se houve eliminação visível do comprimido.

O profissional poderá decidir se:

  • É necessário repetir a dose.

  • Deve-se aguardar.

  • É preciso investigar intolerância.

Evite duplicar dose sem orientação, isso aumenta risco de efeitos adversos desnecessários.

Resumo desta seção

Quando falamos de NexGard:

  • A versão tradicional controla pulgas e carrapatos.

  • A versão Spectra amplia cobertura para vermes.

  • Trocas devem ser técnicas, não emocionais.

  • Efeitos adversos são incomuns, mas devem ser observados.

  • Vômito após administração exige orientação, não improviso.

Na próxima e última parte, vamos organizar as Perguntas Frequentes que mais geram dúvida em tutores que enfrentam carrapatos mesmo após uso do comprimido.

Perguntas frequentes

Aqui estão as dúvidas mais comuns de quem diz:
“Meu cachorro tomou NexGard mas continua com carrapato.”

Respostas diretas, claras e baseadas no que realmente acontece na prática.

É normal ver carrapato depois do NexGard?

Sim, pode acontecer.

O NexGard é sistêmico. O carrapato precisa subir no cão e iniciar alimentação para entrar em contato com o princípio ativo.

Por isso, você pode:

  • Ver carrapato andando no pelo.

  • Encontrar carrapato recém-fixado.

  • Ver carrapatos mortos presos ao pelo antes de caírem.

O que não é esperado é infestação progressiva e contínua por semanas com calendário correto e ambiente controlado.

Quanto tempo leva para “sumir” totalmente?

Depende do cenário.

Se não houver infestação ambiental importante:

  • A tendência é redução rápida nos primeiros dias.

  • Carrapatos presentes antes da dose podem ser vistos por um curto período até morrerem e se desprenderem.

Se houver infestação no ambiente:

  • Novos carrapatos podem continuar surgindo.

  • A eliminação completa pode levar semanas, mesmo com o cão protegido.

O tempo não depende só do comprimido, depende do ambiente.

O que é mais importante: trocar o antiparasitário ou tratar o ambiente?

Na maioria dos casos, tratar o ambiente é mais importante.

Se:

  • A dose está correta,

  • O calendário está em dia,

  • O cão não apresenta reação adversa,

trocar o produto pode não resolver o problema.

Carrapatos passam grande parte do ciclo fora do animal.
Sem controle ambiental, a reinfestação continua.

Quais sinais indicam doença do carrapato?

Procure avaliação veterinária se houver:

  • Febre

  • Apatia

  • Perda de apetite

  • Mucosas pálidas

  • Sangramentos (nariz, gengiva)

  • Manchas avermelhadas na pele

  • Fraqueza intensa

  • Vômitos persistentes

Carrapato visível é um problema externo.
Esses sinais indicam possível envolvimento sistêmico.

Posso dar dose com menos de 30 dias?

Não é recomendado reduzir o intervalo por conta própria.

A administração deve seguir o intervalo indicado na bula e orientação veterinária.

Dar doses antes do tempo:

  • Não necessariamente aumenta proteção.

  • Pode aumentar risco de efeitos adversos.

  • Pode mascarar o problema real (ambiente ou erro de uso).

Se houver suspeita de falha, converse com o veterinário antes de qualquer ajuste.

Banho atrapalha?

Não.

Como o NexGard é oral e sistêmico:

  • O banho não remove o medicamento.

  • Não reduz sua eficácia.

  • Não interfere na proteção.

Banho pode ajudar na higiene e na remoção de carrapatos mortos, mas não substitui controle ambiental.

Como evitar reinfestação em casa?

Controle eficaz envolve:

✔️ Uso regular do antiparasitário no cão
✔️ Lavagem frequente de caminhas e cobertas
✔️ Aspiração de sofás, frestas e rodapés
✔️ Manejo do quintal (grama baixa, sem entulho)
✔️ Inspeção após passeios
✔️ Monitoramento contínuo

Se a infestação for intensa, pode ser necessário apoio profissional para controle ambiental.

Conclusão prática

Se o seu cachorro tomou NexGard mas continua com carrapato, a resposta geralmente está em três pontos:

  • Regularidade de uso

  • Controle ambiental

  • Monitoramento clínico

O comprimido faz parte da solução, mas raramente resolve sozinho quando o ambiente está contaminado.

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