Meu cachorro tomou Bravecto e continua com carrapato: o que pode estar acontecendo?
Quando um tutor administra corretamente um medicamento como o Bravecto no cão esperando acabar instantaneamente com carrapatos, a surpresa de ainda encontrar parasitas pode gerar dúvidas e preocupações legítimas. Para entender por que isso acontece, é importante saber o que o Bravecto realmente é, como ele age no organismo do animal e como atua especificamente contra pulgas e carrapatos.
A seguir, vamos explicar de forma clara e baseada em dados técnicos os mecanismos que influenciam os resultados observados após a administração.
Como o Bravecto funciona no organismo do cachorro
O que é o Bravecto e o que é o Fluralaner
O Bravecto é um medicamento veterinário indicado para o tratamento e prevenção de infestações por pulgas e carrapatos em cães e gatos. O ingrediente bioativo responsável pelo efeito antiparasitário é o fluralaner, uma molécula pertencente à classe das isoxazolinas, uma geração mais recente de ectoparasiticidas utilizados na medicina veterinária.
Como o Bravecto age contra pulgas e carrapatos
O fluralaner age de forma sistêmica. Isso significa que, depois de administrado, geralmente por via oral na forma de comprimido mastigável, ele é absorvido pelo trato gastrointestinal do cão e distribuído pelo sangue de todo o corpo do animal.
Ao contrário de produtos tópicos que criam uma barreira na pele, o Bravecto atua quando o parasita entra em contato com o sangue do cão:
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As pulgas e os carrapatos precisam firmar-se e começar a se alimentar de sangue para realmente estar expostos ao princípio ativo.
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Ao ingerirem o sangue contendo fluralaner, o composto interfere nos canais de cloreto ligados aos receptores GABA e glutamato no sistema nervoso dos parasitas, provocando hiperexcitação neurológica, paralisia e morte. Esse mecanismo é altamente seletivo para artrópodes, o que explica porque o medicamento é eficaz contra pulgas e carrapatos, mas não afeta o sistema nervoso dos mamíferos de forma semelhante.
Em outras palavras: o parasita precisa picar o animal para ingerir o medicamento e ser afetado por ele.
Em quanto tempo o Bravecto começa a fazer efeito
Dados de bula e informações dos estudos de eficácia mostram que:
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O fluralaner presente no Bravecto começa a eliminar pulgas em poucas horas após a administração. Em muitos estudos, mais de 99 % das pulgas são mortas em até 8 horas depois da dose.
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Para carrapatos, a ação inicial ocorre um pouco mais lentamente, com eliminação significativa observada dentro de aproximadamente 12 horas após a exposição dos parasitas ao princípio ativo.
De forma técnica, isso significa que, nas primeiras horas após a administração, o medicamento ainda está sendo absorvido e distribuído, portanto, parasitas presentes no animal no momento da administração podem ainda estar vivos até o fluralaner alcançarem sua concentração eficaz no sangue.
Esse “tempo de ação” não é uma falha, mas uma característica da farmacocinética e da forma como o medicamento precisa entrar na circulação sanguínea para afetar o parasita.
Quando um carrapato sobe em um cão tratado com Bravecto e começa a se alimentar:
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Inicia a sucção de sangue – momento em que entra em contato com o fluralaner presente na corrente sanguínea.
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O fluralaner interfere no sistema nervoso do parasita, resultando em hiperatividade nervosa e eventual paralisia.
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O carrapato morre e pode se soltar ou permanecer aderido por algum tempo antes de cair.
Importante: esse processo pode levar algumas horas. Por isso, é possível visualizar carrapatos ainda aderidos ao cão mesmo após a administração correta de Bravecto, isso não significa que o medicamento não está funcionando, mas que o parasita não foi exposto ao princípio ativo até começar a se alimentar e que a eliminação ainda está em andamento.
Resumo da ação do Bravecto
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Bravecto é um medicamento sistêmico (absorvido pelo organismo e distribuído pelo sangue).
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O parasita precisa picar e se alimentar para ser exposto ao princípio ativo.
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A eliminação é progressiva: pulgas geralmente em até ~8 h e carrapatos em até ~12 h após a exposição.
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A proteção pode persistir por até 12 semanas após uma única dose.
Meu cachorro tomou Bravecto e continua com carrapato: causas mais comuns
Mesmo quando o Bravecto é administrado corretamente, existem situações clínicas e ambientais que explicam por que o tutor ainda pode visualizar carrapatos no animal. Abaixo estão as causas mais frequentes, descritas com base no mecanismo de ação do fluralaner e no ciclo biológico dos carrapatos.
Carrapatos mortos ou ainda vivos?
Um dos cenários mais comuns é o tutor encontrar carrapatos presos ao cão e interpretar isso como falha do medicamento.
Como explicado anteriormente, o fluralaner é sistêmico. De acordo com a bula técnica do produto, pulgas e carrapatos precisam se fixar e iniciar alimentação para serem expostos ao princípio ativo. Isso significa que:
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O carrapato pode ser visto sobre o animal mesmo após o tratamento.
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Ele pode permanecer aderido por algum tempo, mesmo já estando morto.
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Em alguns casos, o parasita morre, mas não se desprende imediatamente.
Estudos regulatórios demonstram que o Bravecto apresenta alta eficácia contra carrapatos após a exposição ao sangue contendo fluralaner, com eliminação significativa geralmente observada dentro de aproximadamente 12 horas após a fixação.
Portanto, a pergunta correta não é apenas “há carrapato?”, mas sim:
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Ele está se movimentando ativamente?
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Está aumentando de tamanho (sugando sangue)?
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Está presente dias após a administração?
A presença isolada de um carrapato morto não caracteriza falha terapêutica.
Infestação ambiental (casa, quintal e canil)
Outro fator extremamente relevante é o ambiente.
Carrapatos possuem um ciclo de vida que inclui fases no ambiente (ovos, larvas e ninfas). Apenas uma pequena parte da população está no animal ao mesmo tempo. A maior parte pode estar:
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Em frestas de muros
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No solo do quintal
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Em canis
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Em grama alta
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Em áreas sombreadas e úmidas
A espécie mais comum no Brasil, Rhipicephalus sanguineus (carrapato-marrom-do-cão), pode completar seu ciclo de vida dentro de ambientes domiciliares, o que facilita infestações persistentes.
Mesmo com o cão protegido, novos carrapatos podem subir continuamente no animal a partir do ambiente. Eles morrerão após se alimentar, mas o tutor pode continuar encontrando parasitas durante semanas se o local não for tratado.
Isso não indica que o Bravecto não esteja funcionando, indica que há pressão ambiental intensa de reinfestação.
Controle eficaz geralmente envolve:
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Higienização e limpeza frequente.
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Uso de produtos ambientais adequados sob orientação profissional.
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Manejo do quintal (corte de grama, eliminação de abrigo).
Janela de tempo após a administração
O momento da administração influencia diretamente o que o tutor observa.
Após a ingestão:
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O fluralaner precisa ser absorvido pelo trato gastrointestinal.
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Em seguida, atinge concentração eficaz na corrente sanguínea.
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Carrapatos já presentes no animal podem continuar ativos por algumas horas até ingerirem sangue contendo o medicamento.
De acordo com dados de bula e estudos clínicos:
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A eliminação de pulgas começa em poucas horas.
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A ação contra carrapatos ocorre geralmente dentro das primeiras 12 horas após a fixação.
Portanto, se o tutor examinar o cão nas primeiras horas após a administração, ainda pode encontrar parasitas vivos.
Além disso, em casos de infestação pesada prévia, pode haver grande quantidade de carrapatos no ambiente que continuam subindo no animal nos dias seguintes.
Essa “janela de transição” pode durar alguns dias até que a população ambiental seja gradualmente reduzida.
Dose incorreta para o peso do animal
O Bravecto é comercializado em apresentações específicas de acordo com o peso do cão. A dosagem correta é fundamental para garantir que o fluralaner atinja níveis plasmáticos adequados e mantenha eficácia por todo o período previsto (até 12 semanas na formulação oral tradicional).
Problemas que podem ocorrer:
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Uso de comprimido para faixa de peso inferior.
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Divisão inadequada do comprimido.
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Estimativa incorreta do peso do animal.
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Administração incompleta (animal não ingeriu toda a dose).
Como o medicamento depende de concentração sistêmica, subdosagem pode resultar em níveis abaixo do ideal, reduzindo a eficácia e encurtando a duração da proteção.
Por isso, recomenda-se:
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Pesar o animal no momento da compra.
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Utilizar a apresentação adequada para a faixa de peso.
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Garantir ingestão completa do comprimido.
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Administrar conforme orientação do médico-veterinário.
Consideração importante
Se, mesmo após:
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Uso correto,
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Dose adequada,
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Período superior a alguns dias,
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Controle ambiental iniciado,
o animal continuar apresentando grande quantidade de carrapatos vivos e ativos, é essencial procurar avaliação veterinária para investigar:
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Possível erro de administração.
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Intervalo vencido entre doses.
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Pressão ambiental intensa.
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Necessidade de abordagem integrada.
Intervalo vencido ou atraso na reaplicação
A duração de ação do Bravecto depende da formulação utilizada. Segundo dados de registro e bula técnica do produto:
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A formulação oral tradicional para cães oferece proteção por até 12 semanas (aproximadamente 84 dias) contra pulgas e carrapatos.
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A formulação injetável de longa duração (conhecida comercialmente como Bravecto 365, aprovada em alguns mercados) oferece proteção prolongada, com duração anual, conforme indicação veterinária e registro regulatório específico.
O fluralaner apresenta meia-vida longa e mantém concentrações plasmáticas eficazes por semanas. No entanto, essas concentrações diminuem gradualmente ao longo do tempo. Quando o intervalo recomendado é ultrapassado, os níveis sanguíneos podem cair abaixo do necessário para eliminar rapidamente os carrapatos após a alimentação.
Isso significa que:
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Se a reaplicação atrasar alguns dias além das 12 semanas, a proteção pode já estar reduzida.
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O tutor pode começar a observar carrapatos vivos se fixando e permanecendo por mais tempo.
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A eficácia sustentada depende da manutenção do calendário correto.
Estudos farmacocinéticos publicados sobre fluralaner demonstram que sua persistência no plasma é prolongada, mas não indefinida. Por isso, respeitar o intervalo recomendado pelo fabricante e pelo médico-veterinário é fundamental para manter a proteção contínua.
Banhos frequentes interferem no efeito?
Essa é uma dúvida comum, e a resposta depende da via de administração.
Formulação oral (comprimido mastigável):
Não sofre interferência por banhos. Como o fluralaner é absorvido sistemicamente e circula na corrente sanguínea, o contato com água, shampoo ou banhos frequentes não reduz sua eficácia. A ação depende da concentração plasmática, não da presença do produto na pele.
Estudos de avaliação de eficácia demonstram que a atividade contra carrapatos é mantida mesmo em cães submetidos a banhos periódicos, justamente porque o medicamento não atua como uma barreira tópica.
Formulação tópica (transdermal):
Após a aplicação, recomenda-se evitar banhos nas primeiras 48–72 horas (conforme bula), para garantir adequada absorção cutânea. Após esse período, como o princípio ativo já foi absorvido sistemicamente, a interferência é mínima.
Portanto:
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Banhos frequentes não reduzem a eficácia da formulação oral.
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O que pode ocorrer é reinfestação ambiental contínua, dando a impressão de falha.
Resistência de parasitas: isso é possível?
A resistência a ectoparasiticidas é um fenômeno biologicamente possível e já documentado para diversas classes químicas (como piretroides e organofosforados). No entanto, no caso das isoxazolinas, incluindo o fluralaner, os dados atuais indicam que:
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A eficácia contra carrapatos permanece alta em estudos clínicos.
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Não há evidência consolidada de resistência amplamente disseminada ao fluralaner em populações de carrapatos de cães sob uso correto.
O mecanismo de ação do fluralaner, bloqueio de canais de cloreto dependentes de GABA e glutamato, difere de classes mais antigas, o que inicialmente reduziu o risco de resistência cruzada.
Contudo, do ponto de vista científico, resistência nunca pode ser descartada como possibilidade futura, especialmente em cenários de:
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Uso incorreto ou subdosagem frequente.
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Falhas repetidas no intervalo de reaplicação.
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Pressão ambiental intensa e contínua.
Até o momento, quando há persistência de carrapatos vivos após administração adequada, as causas mais comuns relatadas são:
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Infestação ambiental significativa.
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Intervalo vencido.
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Erro de dose.
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Expectativa incorreta sobre o mecanismo de ação (esperar repelência imediata).
Se houver suspeita de falha terapêutica real, a conduta recomendada é avaliação veterinária para confirmação da administração correta, revisão de peso, histórico de doses e análise do ambiente, antes de concluir resistência parasitária.
O Bravecto realmente elimina carrapatos?
Quando o tutor relata: “meu cachorro tomou Bravecto e continua com carrapato”, a dúvida central costuma ser se o medicamento realmente funciona contra carrapatos, ou se apenas reduz a infestação.
Do ponto de vista científico e regulatório, o fluralaner (princípio ativo do Bravecto) é aprovado para o tratamento e controle de infestações por carrapatos em cães, com eficácia demonstrada em estudos clínicos controlados utilizados para registro em órgãos regulatórios como EMA (Europa), FDA (EUA) e MAPA (Brasil).
Os dados apresentados nesses registros mostram alta eficácia contra diferentes espécies de carrapatos, incluindo Rhipicephalus sanguineus, Ixodes ricinus e Dermacentor reticulatus, dependendo da região.
A seguir, detalhamos como essa eficácia ocorre na prática.
O Bravecto é preventivo ou age apenas após a picada?
O Bravecto é um medicamento sistêmico com ação acaricida após alimentação do parasita.
De acordo com o Resumo das Características do Produto (SPC/EMA):
Pulgas e carrapatos precisam se fixar ao hospedeiro e iniciar alimentação para serem expostos ao fluralaner.
Isso significa que:
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O medicamento não atua como repelente.
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Ele não impede que o carrapato suba no animal.
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O efeito ocorre quando o parasita ingere sangue contendo o princípio ativo.
Após a ingestão, o fluralaner interfere nos canais de cloreto mediados por GABA e glutamato no sistema nervoso do carrapato, levando à hiperexcitação neuromuscular, paralisia e morte.
Portanto, a resposta técnica é:
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O Bravecto tem ação curativa e preventiva contínua, mas não repelente.
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Ele previne infestações sustentadas ao eliminar rapidamente os parasitas após a fixação.
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Pode haver breve período de fixação antes da morte do carrapato.
Esse ponto é essencial para entender por que ainda é possível visualizar carrapatos no animal tratado.
Quanto tempo dura a proteção (12 semanas vs Bravecto 365)
A duração da proteção depende da formulação.
✔ Formulação oral (comprimido mastigável)
Segundo dados de registro:
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Proteção contra pulgas e carrapatos por até 12 semanas (aproximadamente 84 dias).
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Estudos demonstram manutenção de eficácia elevada durante todo o período quando administrado corretamente.
Farmacocineticamente, o fluralaner possui meia-vida prolongada e mantém concentrações plasmáticas terapêuticas por semanas.
✔ Formulação injetável de longa duração (Bravecto 365)
A versão injetável de fluralaner foi aprovada em alguns mercados como tratamento de longa duração, com proteção anual contra pulgas e carrapatos, conforme avaliação regulatória da FDA.
Essa formulação mantém níveis plasmáticos estáveis por período prolongado, reduzindo necessidade de reaplicações frequentes.
É fundamental destacar:
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A formulação oral tradicional dura até 12 semanas.
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A versão anual depende de aprovação específica no país e deve ser administrada exclusivamente por médico-veterinário.
Se o tutor ultrapassa o intervalo de 12 semanas na formulação oral, os níveis plasmáticos podem cair abaixo da concentração eficaz, permitindo sobrevivência prolongada dos carrapatos.
Diferença entre comprimido, transdermal e Bravecto 365
As principais diferenças envolvem via de administração, farmacocinética inicial e conveniência:
| Formulação | Via | Absorção | Duração | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Comprimido mastigável | Oral | Absorção gastrointestinal | Até 12 semanas | Não sofre interferência de banhos |
| Transdermal (tópico) | Cutânea | Absorção pela pele | Até 12 semanas | Evitar banho nas primeiras 48–72h |
| Injetável (Bravecto 365) | Subcutânea | Liberação prolongada sistêmica | Até 12 meses | Aplicação exclusivamente veterinária |
Importante:
Independentemente da via, o mecanismo final é sistêmico. Após absorção, o fluralaner circula na corrente sanguínea e age da mesma forma contra os parasitas.
Nenhuma das formulações atua como repelente externo.
O Bravecto também protege contra sarna?
O fluralaner é aprovado para tratamento de algumas formas de sarna em cães.
Estudos clínicos demonstraram eficácia contra:
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Sarna demodécica (Demodex canis)
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Sarna sarcóptica (Sarcoptes scabiei var. canis)
O mecanismo de ação é o mesmo: interferência nos canais de cloreto do sistema nervoso do ácaro, levando à morte.
A bula do produto inclui indicação para tratamento de demodicose generalizada em cães, com resposta clínica observada após administração conforme protocolo.
Entretanto:
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A indicação específica depende da formulação e do registro local.
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O diagnóstico deve ser confirmado por médico-veterinário.
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O tratamento pode exigir acompanhamento e, em alguns casos, doses repetidas.
Conclusão técnica deste bloco
Com base em dados regulatórios e estudos clínicos:
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O Bravecto realmente elimina carrapatos.
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Não age como repelente.
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A proteção dura até 12 semanas na formulação oral.
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Pode tratar algumas formas de sarna.
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A presença visual de carrapatos não significa necessariamente falha do medicamento.
Bravecto é seguro? Efeitos colaterais e saúde do fígado
A segurança do Bravecto é uma das dúvidas mais frequentes entre tutores, especialmente quando o assunto envolve possíveis efeitos no fígado, rins ou sistema neurológico.
O princípio ativo fluralaner passou por estudos toxicológicos, farmacocinéticos e clínicos antes de receber aprovação regulatória. Os dados utilizados para registro foram avaliados por agências como:
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EMA (European Medicines Agency) – por meio do relatório EPAR (European Public Assessment Report).
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FDA (Food and Drug Administration – EUA).
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Autoridades regulatórias nacionais, como o MAPA no Brasil.
Esses documentos incluem estudos de segurança em diferentes faixas etárias, doses múltiplas e avaliações laboratoriais.
Abaixo estão os principais pontos baseados nesses dados.
Efeitos colaterais mais relatados
De acordo com informações de bula e relatórios regulatórios, os efeitos adversos mais comumente relatados com o uso de fluralaner em cães são:
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Vômito
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Diarreia
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Diminuição do apetite
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Letargia
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Hipersalivação
Esses eventos são geralmente classificados como leves e transitórios, ocorrendo com baixa frequência.
Nos estudos de segurança apresentados no EPAR da EMA, cães receberam doses múltiplas superiores à dose terapêutica recomendada, e o perfil de segurança foi considerado aceitável dentro das margens estabelecidas para aprovação.
Importante:
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Eventos gastrointestinais são os mais frequentes.
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A maioria se resolve espontaneamente.
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Persistência de sintomas deve ser avaliada por médico-veterinário.
Bravecto pode causar problemas no fígado ou rins?
Essa é uma preocupação recorrente, especialmente por se tratar de um medicamento sistêmico de longa duração.
Nos estudos de segurança submetidos para registro:
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Foram avaliados parâmetros bioquímicos hepáticos (ALT, AST, FA) e renais (ureia, creatinina).
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Não foram observadas alterações clinicamente relevantes associadas ao uso na dose recomendada em cães saudáveis.
O fluralaner é metabolizado parcialmente no fígado e excretado predominantemente pelas fezes, com mínima eliminação urinária. Os dados farmacocinéticos indicam que a maior parte do fármaco é eliminada por via biliar/fecal.
Até o momento, não há evidência científica robusta demonstrando que o uso correto do fluralaner cause hepatotoxicidade significativa em cães saudáveis.
Entretanto:
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Cães com doença hepática ou renal pré-existente devem ser avaliados individualmente.
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A decisão terapêutica deve considerar o histórico clínico do animal.
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Monitoramento laboratorial pode ser indicado em pacientes com comorbidades.
Pode causar convulsões?
Em 2018, a FDA publicou comunicação alertando que medicamentos da classe das isoxazolinas (incluindo fluralaner, afoxolaner e sarolaner) foram associados, em relatos pós-comercialização, a eventos neurológicos como:
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Tremores
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Ataxia
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Convulsões
É importante contextualizar cientificamente:
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Esses eventos são considerados raros.
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Foram observados principalmente em animais com histórico prévio de distúrbios neurológicos.
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A relação causal direta nem sempre é conclusiva, pois muitos casos envolvem múltiplos fatores.
Nos estudos clínicos pré-aprovação, a incidência de eventos neurológicos foi baixa.
A própria FDA manteve os produtos aprovados, reforçando que:
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São considerados seguros e eficazes quando usados conforme a bula.
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Devem ser utilizados com cautela em cães com histórico de convulsões.
Portanto, cães epilépticos ou com histórico neurológico devem ser avaliados individualmente pelo veterinário antes do uso.
É seguro para filhotes?
Segundo dados de bula:
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A formulação oral tradicional pode ser utilizada em cães a partir de 8 semanas de idade, respeitando o peso mínimo indicado para cada apresentação.
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Estudos de segurança incluíram cães jovens, demonstrando tolerabilidade adequada na dose recomendada.
A dosagem é sempre baseada no peso corporal, o que é especialmente importante em filhotes em crescimento.
Pontos importantes:
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O peso deve ser confirmado antes da administração.
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Em raças muito pequenas ou filhotes abaixo do peso mínimo indicado, o uso pode não ser recomendado.
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O acompanhamento veterinário é essencial.
Conclusão técnica deste bloco
Com base nos dados regulatórios e estudos submetidos para aprovação:
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O Bravecto apresenta perfil de segurança considerado adequado em cães saudáveis.
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Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais e geralmente leves.
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Não há evidência consistente de dano hepático ou renal em uso correto.
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Eventos neurológicos são raros, mas devem ser considerados em animais com histórico prévio.
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Pode ser utilizado em filhotes a partir de 8 semanas, conforme peso mínimo.
Pode usar em cães idosos?
A idade avançada, por si só, não é considerada uma contraindicação formal ao uso de fluralaner. Nos estudos de segurança submetidos para aprovação regulatória (EMA e FDA), cães adultos e jovens foram avaliados quanto à tolerabilidade, incluindo administração repetida em doses superiores à terapêutica recomendada.
No entanto, cães idosos frequentemente apresentam:
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Doenças hepáticas ou renais subclínicas
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Cardiopatias
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Uso concomitante de múltiplos medicamentos
Embora não haja evidência robusta demonstrando que o fluralaner cause dano hepático ou renal em cães saudáveis, animais geriátricos devem ser avaliados individualmente. O princípio ativo é metabolizado parcialmente no fígado e eliminado principalmente pelas fezes (via biliar), com mínima excreção renal, segundo dados farmacocinéticos publicados em relatórios regulatórios.
Portanto:
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✔ Pode ser utilizado em cães idosos clinicamente saudáveis.
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⚠ Deve haver avaliação veterinária prévia em pacientes com comorbidades.
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✔ O risco de doença transmitida por carrapato costuma ser maior do que o risco associado ao medicamento, quando usado corretamente.
Em medicina veterinária, a decisão é sempre baseada na relação risco-benefício individual.
Pode usar em cadelas gestantes?
A segurança do fluralaner durante gestação e lactação depende da formulação e da informação específica da bula local.
Nos dados de registro submetidos à EMA, estudos reprodutivos foram conduzidos em cães, e não foram observados efeitos teratogênicos ou impacto reprodutivo significativo na dose recomendada. Em algumas bulas internacionais, o uso é considerado seguro durante gestação e lactação.
Entretanto, em determinados países, a bula pode indicar que o uso deve ocorrer apenas sob orientação do médico-veterinário, devido à limitação de dados em populações gestantes amplas.
Pontos técnicos importantes:
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O fluralaner atravessa a circulação sistêmica.
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Pode estar presente em níveis detectáveis no leite materno, embora sem evidência clara de efeito adverso nos filhotes nas doses recomendadas.
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A decisão deve considerar risco de infestação por carrapatos e possível transmissão de doenças.
Conclusão prática:
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✔ Pode ser utilizado em cadelas gestantes quando indicado pelo veterinário.
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⚠ A avaliação individual é recomendada.
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✔ O controle de carrapatos em gestantes pode ser essencial para prevenir doenças transmitidas por vetores.
Cães com gene MDR1 podem usar?
O gene MDR1 (mutação no gene ABCB1) está associado à sensibilidade aumentada a determinadas drogas, como ivermectina, loperamida e alguns quimioterápicos. Essa mutação afeta a glicoproteína-P, responsável por transportar substâncias para fora do sistema nervoso central.
A preocupação com medicamentos antiparasitários sistêmicos é comum em cães portadores da mutação MDR1 (como Collies, Pastores Australianos e raças relacionadas).
No caso do fluralaner:
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Estudos de segurança incluíram cães com mutação MDR1.
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Não foram observadas alterações neurológicas clinicamente relevantes associadas ao uso na dose recomendada.
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A molécula apresenta alta seletividade para canais de cloreto de artrópodes, com baixa afinidade pelos receptores de mamíferos.
Diferentemente das avermectinas, o fluralaner não depende da mesma via metabólica crítica associada à toxicidade clássica observada em cães MDR1 positivos.
Assim, com base nos dados disponíveis:
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✔ O fluralaner é considerado seguro em cães com mutação MDR1 quando usado conforme orientação.
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⚠ Animais com histórico de convulsão ou distúrbios neurológicos devem ser avaliados individualmente.
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✔ O acompanhamento veterinário continua sendo essencial.
Síntese deste bloco de segurança
Com base em dados regulatórios e estudos clínicos:
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Pode ser usado em cães idosos, com avaliação clínica prévia.
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Pode ser usado em cadelas gestantes sob orientação veterinária.
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É considerado seguro para cães com mutação MDR1 na dose recomendada.
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A avaliação individual sempre prevalece em pacientes com condições clínicas específicas.
Quando procurar o veterinário após usar Bravecto
Embora o fluralaner apresente perfil de segurança considerado adequado em cães saudáveis, nenhuma medicação é isenta de possíveis reações adversas. Além disso, a presença de carrapatos pode estar associada à transmissão de doenças infecciosas, o que exige atenção clínica.
Saber diferenciar uma reação adversa medicamentosa de um quadro infeccioso transmitido por carrapatos é essencial para uma conduta adequada.
Sinais de alerta após administração
De acordo com dados de farmacovigilância e informações de bula das isoxazolinas (classe do fluralaner), os sinais que merecem avaliação veterinária incluem:
Sintomas gastrointestinais persistentes:
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Vômito repetido
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Diarreia intensa ou com sangue
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Perda de apetite por mais de 24–48 horas
Sinais neurológicos:
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Tremores
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Ataxia (andar cambaleante)
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Convulsões
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Alterações comportamentais importantes
A FDA publicou comunicação em 2018 alertando que medicamentos da classe das isoxazolinas podem estar associados, raramente, a eventos neurológicos, especialmente em animais com histórico prévio de convulsão. No entanto, os produtos continuam aprovados, pois a relação risco-benefício é considerada favorável quando usados conforme indicação.
É importante reforçar:
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A maioria dos cães não apresenta efeitos adversos.
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Eventos leves costumam ser autolimitados.
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Sintomas persistentes ou intensos justificam avaliação imediata.
Sintomas de doença do carrapato
Mesmo com uso de Bravecto, o carrapato precisa se fixar e iniciar alimentação antes de morrer. Embora a ação rápida reduza o risco de transmissão de patógenos, nenhum produto elimina risco de forma absoluta.
No Brasil, a chamada “doença do carrapato” geralmente se refere a infecções como:
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Ehrlichiose canina (Ehrlichia canis)
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Babesiose
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Anaplasmose
Essas doenças podem apresentar sintomas como:
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Febre
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Apatia
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Perda de apetite
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Mucosas pálidas
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Sangramentos (petéquias)
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Aumento de linfonodos
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Perda de peso
A ehrlichiose, por exemplo, pode evoluir em fases (aguda, subclínica e crônica), sendo que na fase crônica pode causar alterações hematológicas graves, como trombocitopenia e anemia.
Se o tutor relata que o cão tomou Bravecto e continua com carrapato e apresenta sinais clínicos sistêmicos, a investigação deve ser direcionada para possível infecção transmitida por vetor.
Exames que podem ser solicitados
A avaliação veterinária pode incluir:
Hemograma completo
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Avaliação de anemia
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Contagem de plaquetas (trombocitopenia é comum em ehrlichiose)
Bioquímica sérica
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Avaliação de função hepática e renal
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Importante para diferenciar doença infecciosa de possível reação medicamentosa
Testes sorológicos ou PCR
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Pesquisa de Ehrlichia, Babesia e Anaplasma
Exame clínico detalhado
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Avaliação de linfonodos
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Pesquisa ativa de carrapatos
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Estado geral do animal
A distinção entre reação adversa e doença infecciosa depende da combinação de histórico, exame físico e exames laboratoriais.
Doença do carrapato: o Bravecto evita?
Essa é uma das perguntas mais importantes quando o tutor diz: “meu cachorro tomou Bravecto e continua com carrapato”.
O fluralaner reduz significativamente o risco de transmissão de doenças, mas não é um repelente.
O que os dados indicam:
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O medicamento mata carrapatos após ingestão de sangue.
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A eliminação ocorre geralmente dentro de 12 horas após fixação.
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A transmissão de alguns patógenos exige período prolongado de alimentação do carrapato.
Por exemplo:
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Ehrlichia canis geralmente requer várias horas de alimentação contínua para transmissão efetiva.
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Quanto mais rápido o carrapato morre, menor a probabilidade de transmissão.
Entretanto:
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Se o carrapato já estava fixado antes da administração.
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Se o intervalo entre doses foi ultrapassado.
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Se houver infestação ambiental intensa.
O risco não é zero.
Portanto:
✔ O Bravecto reduz o risco de transmissão.
✔ Não impede completamente a fixação inicial.
✔ Não substitui monitoramento clínico.
A prevenção ideal envolve:
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Uso correto e contínuo do antiparasitário.
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Controle ambiental.
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Inspeção periódica do animal.
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Avaliação veterinária diante de qualquer sinal clínico.
Síntese técnica deste bloco
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Procurar veterinário é indicado diante de sinais persistentes ou neurológicos.
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A presença de carrapatos associada a sintomas sistêmicos exige investigação.
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O Bravecto reduz, mas não elimina completamente o risco de doenças transmitidas por carrapatos.
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Diagnóstico precoce aumenta significativamente o sucesso terapêutico.
O que é a doença do carrapato
O termo “doença do carrapato” não corresponde a uma única enfermidade. Trata-se de uma expressão popular utilizada para descrever infecções transmitidas por carrapatos, principalmente em cães.
No Brasil, as principais doenças associadas ao carrapato-marrom-do-cão (Rhipicephalus sanguineus) são:
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Ehrlichiose canina (Ehrlichia canis)
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Babesiose canina (Babesia vogeli, principalmente)
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Anaplasmose (Anaplasma platys)
Esses agentes são transmitidos durante a alimentação do carrapato infectado.
Ehrlichiose canina
É uma das mais frequentes no país. A bactéria Ehrlichia canis infecta células sanguíneas (principalmente monócitos). A doença pode evoluir em três fases:
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Fase aguda – febre, apatia, linfonodos aumentados, trombocitopenia.
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Fase subclínica – animal aparentemente saudável, mas com alterações laboratoriais.
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Fase crônica – pode haver anemia, sangramentos, perda de peso e imunossupressão.
Babesiose
É causada por protozoários do gênero Babesia, que infectam glóbulos vermelhos, podendo causar:
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Anemia hemolítica
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Icterícia
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Febre
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Fraqueza intensa
Anaplasmose
Causa alterações hematológicas, especialmente redução de plaquetas, podendo gerar sangramentos e febre.
Essas doenças são consideradas enfermidades infecciosas sistêmicas e podem variar de quadros leves a graves, dependendo do estágio e da resposta imunológica do animal.
O Bravecto reduz o risco de transmissão?
Sim, mas com uma explicação técnica importante.
O fluralaner é um acaricida sistêmico que mata carrapatos após a ingestão de sangue. Dados regulatórios indicam que a eliminação significativa dos carrapatos ocorre geralmente dentro de aproximadamente 12 horas após a fixação.
A transmissão de patógenos como Ehrlichia canis e Babesia geralmente requer um período de alimentação contínua do carrapato. Embora o tempo exato possa variar conforme o agente infeccioso, quanto menor o tempo de permanência do carrapato alimentando-se, menor a probabilidade de transmissão.
Portanto:
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✔ O Bravecto reduz o risco de transmissão ao matar rapidamente o carrapato.
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❌ Não impede completamente a fixação inicial.
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❌ Não é um repelente.
Se o carrapato já estava fixado antes da administração ou se o intervalo entre doses foi ultrapassado, o risco pode existir.
Assim, o Bravecto é considerado parte de uma estratégia eficaz de controle de doenças transmitidas por carrapatos, mas não substitui inspeção regular do animal nem o manejo ambiental.
A doença do carrapato tem cura?
Depende do agente envolvido e do estágio da doença.
Ehrlichiose
Na fase aguda, o tratamento com antibióticos (principalmente doxiciclina) costuma apresentar boa resposta clínica quando iniciado precocemente.
Na fase crônica, o tratamento pode ser mais complexo, especialmente se houver comprometimento da medula óssea ou imunossupressão severa.
Babesiose
Pode ser tratada com medicamentos específicos antiparasitários, além de suporte clínico. Em casos graves, pode ser necessária transfusão sanguínea.
Anaplasmose
Também responde bem à antibioticoterapia quando diagnosticada precocemente.
Em resumo:
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✔ Sim, muitas formas da doença do carrapato têm tratamento eficaz.
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✔ O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de recuperação.
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⚠ Casos avançados podem exigir tratamento prolongado e acompanhamento.
Por isso, quando o tutor relata que o cachorro tomou Bravecto e continua com carrapato associado a sinais clínicos como febre, apatia ou sangramentos, a avaliação veterinária imediata é essencial.
Como eliminar carrapatos do ambiente e evitar nova infestação
Um dos principais motivos para o tutor dizer “meu cachorro tomou Bravecto e continua com carrapato” é a presença de infestação ambiental ativa.
O controle do carrapato não depende apenas do tratamento do animal. Estudos sobre o ciclo biológico do Rhipicephalus sanguineus (carrapato-marrom-do-cão), espécie mais comum em ambientes urbanos no Brasil, mostram que grande parte da população do parasita está fora do hospedeiro.
O ciclo inclui:
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Ovos depositados no ambiente
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Larvas
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Ninfas
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Adultos
Apenas uma fase está alimentando-se no cão em determinado momento. O restante pode estar escondido em frestas, paredes, pisos, canis e quintais.
Sem controle ambiental, o animal continuará sendo exposto a novos carrapatos, mesmo estando protegido pelo Bravecto.
Tratamento do quintal e áreas externas
O carrapato-marrom-do-cão possui grande capacidade de adaptação a ambientes domiciliares. Ele pode completar seu ciclo dentro de residências, especialmente em:
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Frestas de muros
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Pisos rachados
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Áreas sombreadas
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Canis
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Cantos de garagem
Medidas baseadas em controle integrado incluem:
✔ Corte regular da grama
✔ Eliminação de entulhos e materiais acumulados
✔ Lavagem periódica de pisos externos
✔ Vedação de frestas e rachaduras
Em casos de infestação intensa, pode ser necessária aplicação de acaricidas ambientais específicos, sempre seguindo orientação técnica e normas de segurança.
É importante compreender que ovos e formas imaturas não são afetados por medicamentos sistêmicos administrados ao cão.
Higienização de camas e acessórios
Camas, mantas e áreas onde o cão repousa são locais comuns de deposição de ovos.
Recomendações baseadas no manejo ambiental incluem:
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Lavagem de tecidos em água quente, quando possível.
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Aspiração frequente de cantos e frestas.
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Descarte de itens muito infestados.
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Exposição ao sol de acessórios sempre que viável.
O objetivo é interromper o ciclo do parasita.
Sem esse cuidado, novos carrapatos continuarão emergindo por semanas, mantendo a pressão de reinfestação.
Uso combinado de produtos ambientais
Em casos moderados a graves, o controle ambiental pode exigir:
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Acaricidas específicos para ambiente externo.
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Reguladores de crescimento de insetos (IGRs), que interferem no desenvolvimento das formas imaturas.
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Dedetização profissional em infestações persistentes.
O uso deve seguir orientação técnica e respeitar:
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Segurança para animais e crianças.
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Tempo de reentrada no ambiente.
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Indicação correta do produto para carrapatos (nem todo inseticida doméstico é eficaz contra ácaros).
O conceito utilizado é o de controle integrado, combinando:
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Tratamento sistêmico do animal.
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Manejo ambiental.
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Monitoramento contínuo.
Estratégia de prevenção contínua
O controle de carrapatos é um processo contínuo, não pontual.
Uma estratégia baseada em evidência inclui:
✔ Uso regular do antiparasitário conforme intervalo recomendado.
✔ Controle ambiental periódico.
✔ Inspeção manual do animal, principalmente após passeios.
✔ Monitoramento de áreas com alta incidência sazonal.
Carrapatos apresentam maior atividade em períodos quentes e úmidos, mas em ambientes domiciliares podem permanecer ativos durante todo o ano.
Por isso, interromper o uso do antiparasitário fora da “temporada” pode favorecer nova infestação.
Conclusão estratégica deste bloco
Se o tutor afirma que o cachorro tomou Bravecto e continua com carrapato, é fundamental avaliar o ambiente.
Na maioria dos casos:
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O medicamento está funcionando.
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O problema é reinfestação ambiental.
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O ciclo do parasita ainda não foi interrompido.
O tratamento do animal é apenas parte da solução.
Alternativas ao Bravecto: quando considerar outra opção
Se você chegou até aqui pensando “meu cachorro tomou Bravecto e continua com carrapato”, vale lembrar: na maioria dos casos, o problema é reinfestação ambiental ou expectativa de “repelência”, já que o fluralaner é sistêmico e exige que o carrapato se fixe e inicie alimentação para morrer.
Mesmo assim, existem cenários em que faz sentido discutir alternativas (sempre com orientação veterinária): efeitos adversos, dificuldade de adesão ao calendário, preferência por formulações diferentes ou necessidade de ação repelente (redução de picadas) que o Bravecto não oferece por ser sistêmico e não repelente.
Diferenças entre Bravecto, NexGard e Simparic
Os três produtos são da classe isoxazolina, mas usam princípios ativos diferentes e têm durações e tempos de “speed of kill” (tempo para matar) distintos, conforme documentos regulatórios e rótulos.
1) Princípio ativo
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Bravecto: fluralaner
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NexGard: afoxolaner
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Simparic(a): sarolaner
2) Como agem (ponto em comum importante)
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Todos são sistêmicos: pulgas/carrapatos precisam se fixar e iniciar alimentação para serem expostos ao medicamento (não são “repelentes”).
3) Duração típica
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Bravecto (fluralaner): proteção por até 12 semanas (dependendo de espécie de carrapato e indicação do rótulo local).
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NexGard (afoxolaner): tipicamente mensal (≈30 dias).
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Simparic(a) (sarolaner): tipicamente mensal (≈35 dias).
4) Velocidade de ação (conceito)
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No Bravecto, documentos da EMA descrevem início de eficácia em horas (ex.: ~8h para pulgas e ~12h para carrapatos após fixação em certas espécies).
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Para NexGard (afoxolaner), o SPC da EMA cita que, para carrapatos, a morte pode ocorrer em até 48h após fixação (varia por espécie e protocolo de avaliação).
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Para Simparica, materiais técnicos descrevem início de morte de carrapatos em horas e manutenção de eficácia mensal.
Como usar isso na decisão (sem “torcida”):
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Se a principal dor é “esqueço a data”, uma opção mensal pode ser mais fácil ou mais difícil (depende do tutor); já uma opção trimestral reduz eventos de administração no ano.
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Se há histórico de reação adversa a uma isoxazolina, o veterinário pode avaliar troca de molécula/classe e estratégia alternativa.
Observação de segurança (classe): isoxazolinas (incluindo fluralaner, afoxolaner e sarolaner) têm alerta de eventos neurológicos raros (tremores, ataxia, convulsões) em alguns animais, segundo a FDA.
Coleiras antiparasitárias são eficazes?
Sim — algumas coleiras têm boa evidência de eficácia contra pulgas e carrapatos e, diferentemente dos sistêmicos, podem oferecer efeito repelente/anti-alimentação, o que ajuda a reduzir picadas (dependendo do princípio ativo).
Exemplos com literatura publicada:
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Coleiras com imidacloprida + flumetrina mostraram eficácia contra pulgas e carrapatos e foram estudadas inclusive em condições de campo; há evidência também de redução de risco para alguns patógenos transmitidos por vetores em contextos específicos.
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Coleiras com deltametrina têm evidências fortes de efeito anti-alimentação/repelente contra vetores (muito estudadas em leishmaniose), reforçando o conceito de barreira externa com redução de picadas.
Pontos críticos (onde muitos erram e “parece que não funciona”):
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Coleira precisa ser usada continuamente, ajustada corretamente e mantida conforme vida útil do fabricante. Em estudos de intervenção, adesão (“uso contínuo”) muda bastante o resultado.
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Em infestações ambientais intensas (especialmente com Rhipicephalus sanguineus), o controle costuma exigir estratégia integrada (animal + ambiente).
Quando a troca de princípio ativo pode ser indicada
A troca (ou mudança de estratégia) tende a fazer sentido quando existe um motivo clínico ou de manejo — não apenas porque “ainda vi carrapato”, já que carrapatos podem aparecer e morrer após fixação com sistêmicos.
Cenários comuns em que o veterinário pode considerar mudança:
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Reação adversa relevante ou recorrente
Ex.: sinais gastrointestinais persistentes ou sinais neurológicos (mesmo que raros) após isoxazolina. -
Dificuldade de adesão ao esquema
Atrasos frequentes (mensal ou trimestral) reduzem a proteção contínua. -
Necessidade de efeito repelente/anti-picada
Ex.: regiões com alta pressão de vetores, ou quando o foco do tutor é “reduzir ao máximo a chance de picar”. Coleiras/alguns tópicos podem ser mais alinhados a esse objetivo do que um sistêmico não repelente. -
Infestação ambiental persistente apesar de controle no animal
Aqui, “trocar o remédio” sem tratar ambiente costuma falhar. Revisões sobre R. sanguineus reforçam a necessidade de controle integrado. -
Suspeita de falha por subdose/erro de peso/uso inadequado
Antes de trocar, normalmente vale checar peso atual, produto correto e administração.
Sobre “resistência”: é biologicamente possível ao longo do tempo para qualquer ectoparasiticida, mas na prática clínica a maior parte dos casos de “falha” com carrapatos ainda se explica por ambiente, adesão e expectativas do mecanismo, não por confirmação de resistência. (Quando há suspeita real, o veterinário costuma investigar cenário, espécie do carrapato e estratégia integrada.)
Perguntas frequentes sobre Bravecto e carrapatos
A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns com base em dados de bula, documentos regulatórios (EMA/FDA) e informações farmacológicas sobre o fluralaner.
O carrapato precisa picar para morrer?
Sim. O fluralaner é sistêmico e não repelente. Segundo o Resumo das Características do Produto (SPC/EMA), pulgas e carrapatos precisam se fixar ao hospedeiro e iniciar a alimentação para serem expostos ao princípio ativo presente no sangue.
Após a ingestão, o fluralaner interfere nos canais de cloreto mediados por GABA e glutamato no sistema nervoso do artrópode, levando à morte.
Conclusão prática: é possível ver carrapatos aderidos ao cão tratado; o que se espera é que morram após iniciar a alimentação, geralmente em horas (dependendo da espécie).
Posso dar vacina e Bravecto no mesmo dia?
Em geral, sim, quando o animal está clinicamente saudável e o veterinário avalia que não há contraindicações.
O fluralaner não é uma vacina e não estimula resposta imune; trata-se de um antiparasitário sistêmico. Não há contraindicação formal nas bulas para administração concomitante com vacinas, desde que o paciente esteja apto a receber imunização.
Boa prática clínica:
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Avaliar estado geral do animal antes da vacinação.
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Evitar múltiplas intervenções se o paciente estiver debilitado.
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Seguir orientação do médico-veterinário responsável.
Quanto tempo o medicamento fica no organismo?
O fluralaner possui meia-vida prolongada, o que sustenta sua eficácia por até 12 semanas na formulação oral tradicional (conforme rótulo e registros regulatórios).
Estudos farmacocinéticos mostram que o fármaco mantém concentrações plasmáticas terapêuticas por semanas após dose única.
Na formulação injetável de longa duração (quando disponível e aprovada no país), a liberação sustentada permite proteção anual sob aplicação veterinária.
Ponto-chave: a permanência no organismo não significa toxicidade contínua, mas sim manutenção de níveis eficazes para controle de ectoparasitas dentro da faixa de segurança avaliada nos estudos.
Bravecto protege contra vermes?
Não. O fluralaner é um ectoparasiticida, indicado para pulgas, carrapatos e, em algumas situações, ácaros (como em certos casos de sarna).
Ele não é vermífugo e não possui ação contra parasitas intestinais (como Toxocara, Ancylostoma ou cestódeos).
Para controle de verminoses internas, são necessários antiparasitários específicos (vermífugos), conforme protocolo veterinário.
Posso usar em gatos?
Sim, há formulações específicas para gatos contendo fluralaner, aprovadas para essa espécie.
É fundamental utilizar a versão destinada a gatos, pois:
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As apresentações e doses são diferentes.
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Produtos formulados para cães não devem ser administrados em gatos sem indicação expressa do fabricante.
Assim como em cães, o mecanismo é sistêmico e os carrapatos (e pulgas) precisam iniciar alimentação para serem expostos ao princípio ativo.
Se ainda vejo carrapatos, devo repetir a dose?
Não se deve repetir a dose antes do intervalo recomendado sem orientação veterinária.
Reaplicação precoce pode levar à administração desnecessária de medicamento, sem benefício adicional comprovado, já que:
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O carrapato precisa se fixar para morrer.
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Pode haver reinfestação ambiental.
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O produto mantém níveis eficazes por até 12 semanas (na formulação oral tradicional).
Se houver:
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Grande quantidade de carrapatos vivos dias após a administração correta,
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Dúvida quanto ao peso ou dose utilizada,
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Intervalo ultrapassado,
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Sinais clínicos no animal,
a conduta adequada é procurar o veterinário para avaliação, em vez de repetir automaticamente a medicação.
Conclusão técnica: por que seu cachorro ainda pode ter carrapatos mesmo após tomar Bravecto
Se você chegou até aqui porque pensou “meu cachorro tomou Bravecto e continua com carrapato”, a conclusão baseada em evidência científica é clara:
Na maioria dos casos, isso não significa falha do medicamento.
O fluralaner é um ectoparasiticida sistêmico aprovado por agências regulatórias internacionais, com eficácia demonstrada contra carrapatos por até 12 semanas na formulação oral tradicional. Seu mecanismo exige que o parasita se fixe e inicie alimentação para ser exposto ao princípio ativo, portanto, ele não impede que o carrapato suba no animal, nem atua como repelente.
Os motivos mais frequentes para ainda visualizar carrapatos são:
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Reinfestação ambiental ativa (principal causa).
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Intervalo vencido ou atraso na reaplicação.
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Dose inadequada para o peso.
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Expectativa incorreta sobre mecanismo de ação.
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Presença de carrapatos mortos ainda aderidos à pele.
Do ponto de vista epidemiológico, o controle eficaz envolve três pilares:
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Tratamento sistêmico adequado do animal.
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Controle ambiental rigoroso.
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Monitoramento clínico para sinais de doenças transmitidas por carrapatos.
Além disso:
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O Bravecto reduz significativamente o risco de transmissão de doenças como ehrlichiose e babesiose ao eliminar rapidamente o carrapato após fixação.
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Não substitui vermífugo.
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Não elimina a necessidade de inspeção regular do animal.
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Deve ser utilizado respeitando intervalo e faixa de peso.
A decisão de trocar o produto, repetir dose ou investigar possível problema deve sempre ser baseada em avaliação veterinária, especialmente se houver sinais clínicos sistêmicos.
Mensagem final baseada em evidência
Encontrar carrapato em um cão tratado não é automaticamente sinônimo de falha terapêutica.
A interpretação correta depende de entender:
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Como o medicamento age.
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Quanto tempo leva para eliminar o parasita.
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Qual é a situação ambiental.
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Se há sintomas associados.
Quando utilizado corretamente, dentro do intervalo recomendado e associado a manejo ambiental, o Bravecto é considerado uma ferramenta eficaz e segura no controle de carrapatos.
Se persistirem dúvidas ou sinais clínicos, a avaliação profissional é sempre o passo mais seguro.




